BROTAS DE MACAÚBAS: EM BROTAS DE MACAÚBAS, COMUNIDADES SE UNEM EM DEFESA DA SERRA DA MANGABEIRA E ALERTAM PARA AMEAÇAS DA MINERAÇÃO



A serra guarda as águas — e cuidar da água é cuidar da vida.

Neste domingo, a ACOMPOV realizou um importante ato em defesa da Serra da Mangabeira e de suas águas, reunindo moradores da comunidade e de localidades vizinhas em um momento de mobilização, memória e valorização do território.

A atividade contou ainda com a participação de estudantes e pesquisadores(as) da Escola Família Agrícola de Brotas de Macaúbas (EFAR), do Mestrado Profissional em Ensino das Ciências Ambientais (PROFCIAMB/UEFS), da Especialização em Economia Solidária, Inovação e Gestão Social (ESIGS) e do Bacharelado em Agroecologia. A presença dessas instituições fortaleceu o diálogo entre comunidade, educação e pesquisa. O encontro integra as ações do projeto “Fundo de Pasto: Tecendo Autonomia”, que busca fortalecer o protagonismo das comunidades na defesa de seus territórios tradicionais.

Durante o ato, mulheres da comunidade compartilharam relatos marcantes sobre sua relação profunda com a serra e com as águas, destacando a importância das nascentes para a sobrevivência das famílias e para a manutenção da vida no território. As falas também trouxeram à tona aspectos de espiritualidade e memória, relembrando que a serra sempre foi considerada um espaço sagrado. Em tempos difíceis, eram realizadas novenas para São João Batista, em busca de chuva e proteção. Também foram destacadas práticas tradicionais e rituais de respeito às entidades da mata, reafirmando a conexão ancestral entre comunidade e natureza.

Ao longo da caminhada pela serra, foram identificados registros de pinturas rupestres — importantes evidências da presença histórica e cultural no território — que reforçam ainda mais a necessidade de preservação desse patrimônio natural e arqueológico.

Apesar de toda essa riqueza, o território enfrenta ameaças com o avanço de projetos de mineração. A chegada desse tipo de empreendimento coloca em risco as nascentes, a biodiversidade, os sítios arqueológicos e os modos de vida das comunidades tradicionais. Em nome de um suposto progresso, grandes projetos frequentemente prometem desenvolvimento, mas acabam deixando como legado a degradação ambiental, a escassez de água e o enfraquecimento das comunidades locais.

Esse modelo de exploração, muitas vezes, ignora o diálogo com as populações do território, desconsidera seus saberes e ameaça bens essenciais à vida. Para quem vive na região, a verdadeira riqueza está na água que brota da serra, na biodiversidade e na possibilidade de continuar vivendo e produzindo de forma sustentável.

O ato reafirmou que defender a Serra da Mangabeira é defender as águas, a memória, a espiritualidade e, sobretudo, o direito das comunidades de permanecerem e existirem em seu território.

Fonte\reprodução: Brotas News Oficial

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